Quanto você realmente lucra por serviço de segurança eletrônica

A maioria dos donos de empresas de segurança eletrônica não sabe responder essa pergunta em menos de dez segundos. Entenda por quê e como calcular certo.

Quanto você realmente lucra por serviço de segurança eletrônica

Antes de ler qualquer linha adiante, pare por um instante e responda com sinceridade uma pergunta simples. Pense na última instalação de porte médio que sua empresa concluiu, um sistema de CFTV com algumas câmeras, uma cerca elétrica, um alarme monitorado, o que for mais comum no seu dia a dia. Agora, sem abrir planilha nenhuma, sem consultar ninguém, diga: quanto sobrou, de fato, depois de descontar tudo o que aquele serviço consumiu.

Se você conseguiu responder esse número com confiança em menos de dez segundos, você está numa minoria bastante restrita dentro do setor de segurança eletrônica. A grande maioria dos donos, gestores e até técnicos que também vendem seus próprios serviços sabe, com razoável precisão, quanto cobrou. Muito poucos sabem, com a mesma precisão, quanto realmente lucraram. E essa diferença, que parece pequena, é uma das mais caras que existem na gestão de uma empresa de segurança eletrônica.

Este texto existe para explicar, com profundidade, por que essa pergunta é tão difícil de responder, quais custos específicos do setor se escondem dentro dela, e como calcular a resposta certa sem precisar de um contador ao seu lado o tempo todo.

A diferença entre o que você cobra e o que você ganha

O primeiro erro conceitual, extremamente comum, é tratar o valor cobrado num orçamento como sinônimo de lucro. Não é. O valor cobrado é apenas o ponto de partida de uma conta que tem várias etapas depois dele, e cada etapa dessa conta consome uma parte do que parecia, à primeira vista, ser ganho líquido.

Existe uma diferença técnica importante entre três conceitos que costumam ser tratados como um só. O ticket é o valor total cobrado pelo serviço. O custo direto é tudo aquilo que foi gasto especificamente para entregar aquele serviço, como material, combustível, e o tempo de trabalho do técnico. O custo indireto é tudo aquilo que sustenta a operação como um todo, mesmo quando não está ligado a um serviço específico, como aluguel, telefone, ou o salário de quem administra. O lucro real de um serviço só aparece depois de descontar do ticket tanto o custo direto quanto uma fatia proporcional do custo indireto. A maioria das empresas de segurança eletrônica calcula, na melhor das hipóteses, apenas o custo direto mais óbvio, o material, e ignora praticamente todo o resto.

Os custos que se escondem dentro de um serviço de segurança eletrônica

O setor de segurança eletrônica tem uma característica que aprofunda esse problema além do que acontece na maioria dos outros serviços: parte relevante do custo real de cada instalação não é feita de itens que aparecem numa nota fiscal, e sim de tempo, deslocamento e risco que raramente são medidos com disciplina.

O deslocamento que ninguém cronometra

Um técnico de segurança eletrônica raramente trabalha num único endereço fixo. Ele se desloca entre bairros, às vezes entre cidades, carregando equipamento, enfrentando trânsito, gastando tempo que não está instalando nada, mas que também não está livre para outro compromisso. Esse tempo de deslocamento tem um custo real, tanto em combustível quanto em horas de trabalho que poderiam estar sendo usadas em outro serviço, mas raramente é somado ao custo daquele serviço específico. Quando dois serviços parecidos, um a cinco minutos da base da empresa e outro a uma hora de distância, são cobrados pelo mesmo valor, o segundo está, na prática, gerando menos lucro por hora de trabalho, mesmo que ninguém tenha percebido isso.

A visita técnica que não vira instalação

Fechar um contrato de segurança eletrônica, principalmente os de maior porte, quase sempre exige uma visita técnica prévia, para avaliar o local, entender a necessidade real do cliente, e montar um orçamento preciso. Uma parte dessas visitas, inevitavelmente, não se converte em contrato fechado. O tempo e o deslocamento gastos nessas visitas que não fecharam não desaparecem do custo da empresa, eles simplesmente migram, de forma invisível, para o custo dos serviços que fecharam. Se você não sabe qual é a sua taxa de conversão de visita para contrato fechado, você não tem como saber quanto desse custo afundado está, na prática, sendo pago pelos clientes que dizem sim.

A revisão em garantia tratada como cortesia

É comum, e correto do ponto de vista de relacionamento com o cliente, retornar sem cobrar quando algo precisa de ajuste depois da instalação, seja por falha técnica, seja por um pedido de reposicionamento do próprio cliente. O problema não é oferecer essa revisão gratuita. O problema é não medir quantas dessas revisões acontecem, e quanto tempo de equipe elas consomem ao longo do mês. Quando esse tempo não é registrado em lugar nenhum, ele simplesmente desaparece da conta, reduzindo o lucro real sem que ninguém veja essa redução acontecer.

O capital parado durante o ciclo de aprovação

Voltando a um mecanismo que já discutimos em outro texto deste blog, o processo de aprovação de um contrato de segurança eletrônica costuma ser mais longo do que em outros serviços, passando por síndico, gestor de facilities, ou processo formal de compras. O que muitas vezes não se calcula é que esse tempo de espera tem um custo financeiro real, mesmo quando o dinheiro finalmente entra. É o custo de oportunidade daquele capital, que ficou parado, sem poder ser reinvestido em novo equipamento ou em capital de giro, durante semanas ou meses. Empresas maiores tratam esse custo como uma linha própria em suas contas. A maioria das pequenas e médias empresas de segurança eletrônica nem sabe que ele existe como número, embora sinta o efeito dele todo mês.

A equipe multitarefa mal alocada

É raro que um técnico de segurança eletrônica trabalhe numa única ordem de serviço por vez, do início ao fim, sem interrupção. Na prática, ele costuma alternar entre duas, três, às vezes quatro ordens de serviço diferentes ao longo da mesma semana, atendendo um chamado de emergência aqui, voltando para terminar uma instalação ali. Quando essa alternância não é registrada com precisão, o tempo real que cada serviço consumiu se perde numa média genérica, e alguns serviços acabam absorvendo, sem que ninguém perceba, um tempo de trabalho muito maior do que o que foi efetivamente cobrado.

O efeito desse ponto cego em cada papel da empresa

Para o dono da empresa, não saber o lucro real por serviço significa precificar no escuro. Ele pode estar, sem perceber, cobrando abaixo do necessário para tipos específicos de projeto, como instalações residenciais distantes da base da empresa, enquanto acredita estar tendo uma margem saudável baseada apenas no valor bruto cobrado. Decisões de crescimento, como focar mais esforço comercial num tipo de contrato específico, dependem diretamente dessa clareza, e sem ela, a empresa pode estar, literalmente, crescendo em direção ao tipo de serviço que menos lucro real proporciona.

Para o gestor, o efeito aparece na dificuldade de otimizar a operação. Sem saber qual tipo de serviço, qual região atendida, ou qual perfil de cliente gera mais lucro real por hora de equipe, é impossível direcionar esforço comercial e operacional de forma inteligente. O gestor acaba tratando todos os contratos como igualmente valiosos, quando na prática eles quase nunca são.

Para o técnico instalador, especialmente aquele que também participa da negociação com o cliente, o efeito é a sensação difusa de que alguns dias de trabalho compensam muito mais do que outros, sem conseguir explicar exatamente por quê. Essa falta de clareza dificulta até a conversa sobre remuneração e comissão dentro da própria empresa, porque nem o técnico nem o dono têm um número confiável para basear essa discussão.

O crescimento que não é crescimento de verdade

Um dos efeitos mais perigosos de não saber o lucro real por serviço é uma armadilha que costuma ser chamada, em análises de negócio, de crescimento de vaidade. É o crescimento que aparece nos números de faturamento total, mês após mês, mas que não se traduz em mais dinheiro disponível de fato, porque a empresa está apenas fazendo mais do mesmo tipo de serviço que, individualmente, já tinha margem apertada. A empresa trabalha mais, contrata mais gente, atende mais clientes, e no fim do ano descobre que a rentabilidade real cresceu muito menos do que o esforço empregado, ou às vezes nem cresceu.

Esse é, possivelmente, o cenário mais frustrante para quem lidera uma empresa de segurança eletrônica, porque ele não é causado por preguiça ou por falta de demanda. É causado, quase sempre, pela ausência de um número simples, o lucro real por serviço, que deveria estar guiando cada decisão de crescimento, mas que nunca foi calculado com precisão suficiente para isso.

Como calcular o lucro real, na prática

Calcular o lucro real por serviço não exige um sistema de contabilidade avançado. Exige reunir, de forma organizada, alguns elementos que já existem na sua operação, mas que hoje estão espalhados entre a memória do técnico, o extrato bancário, e conversas soltas de WhatsApp.

O primeiro elemento é o custo de material, que já costuma ser o mais fácil de levantar, já que geralmente existe nota fiscal de compra.

O segundo elemento é o custo de tempo de equipe, calculado a partir de quantas horas, incluindo deslocamento, aquele serviço específico consumiu, multiplicado pelo custo daquela hora de trabalho, incluindo salário, encargos e benefícios.

O terceiro elemento é uma fatia proporcional dos custos indiretos da empresa, dividida entre a quantidade de serviços realizados no período, para que aluguel, telefone e outras despesas fixas também sejam consideradas em cada cálculo.

O quarto elemento, mais sutil, é uma taxa de ajuste para cobrir o custo de visitas que não fecharam e revisões em garantia, calculada como uma média histórica sobre o total de serviços efetivamente cobrados.

Somando esses quatro elementos e subtraindo do valor cobrado, você chega a um número muito mais próximo do lucro real do que o cálculo simples de valor cobrado menos material, que é o que a maioria das empresas do setor ainda usa hoje.

Onde o Faturei Hoje entra nesse mecanismo

Fazer essa conta manualmente, para cada serviço, seria inviável na correria do dia a dia de uma empresa de segurança eletrônica. É exatamente por isso que o Faturei Hoje foi desenhado para capturar essa informação no momento em que ela acontece, sem exigir esforço extra de quem está em campo. Quando o técnico registra, por áudio, o material usado e o tempo gasto numa ordem de serviço específica, esse custo já fica automaticamente vinculado àquele serviço, não perdido numa média geral do mês.

Com o tempo, isso permite enxergar, com clareza, quais tipos de contrato, quais regiões atendidas, e quais perfis de cliente realmente trazem lucro, e quais estão, silenciosamente, drenando a energia da sua equipe por um retorno menor do que parece no papel. Essa é a diferença entre crescer em direção ao que realmente vale a pena, e crescer apenas porque o telefone continua tocando.

Você cuida do serviço. A gente cuida do resto.

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